· José Ricardo
O faturamento daquela noite fora baixo para os narcotraficantes da Favela do Kid. A equipe do Sargento Mike não deu trégua para eles durante o período de repouso das pessoas ordeiras. Mas o tráfico odeia ser incomodado; tinha que dar uma resposta, algo que intimidasse a Military Police e demonstrasse seu poder perante a comunidade onde impunha o domínio e o terror. Já no final do turno, com os primeiros raios de sol a surgir, o operador da central de comunicações falou na rede de rádio:
– Atenção viaturas que cobrem a Favela do Kid, segundo solicitações, indivíduos fecharam a pista principal da parte alta do aglomerado colocando fogo em pneus, sofás e colchões. Ainda, segundo as diversas solicitações, os indivíduos estão arremessando objetos contra os veículos que passam pela via e estão tentando assaltar os transeuntes. Qual viatura pode averiguar a situação?
– Central, é o CPU comunicando, empenha a VP 44444. Eu estou perto e vou dar apoio pra ela.
Além do CPU, outras duas guarnições se ofereceram para apoiar. O CPU autorizou. Em poucos minutos, as guarnições se encontraram e dirigiram-se para o local. Quando se aproximaram da favela, os militares avistaram pneus, sofás e colchões em chamas, pessoas correndo amedrontadas e veículos dando marcha-ré em desabalada. Os narcotraficantes, por sua vez, ao avistarem as viaturas, correram e adentraram em disparada num beco do aglomerado. Diante do quadro anormal, a velocidade das viaturas foi aumentada, mas os infratores conseguiram evadir.
Chegando ao local, os militares retiraram rapidamente os objetos em chamas da pista de rolamento, desimpedindo o trânsito. Em seguida, o CPU determinou:
– Os motoristas aí, peguem as viaturas e desçam lá pra parte baixa da favela e cerquem a saída do beco. Ok? O restante vai descer comigo.
As viaturas saíram em alta velocidade. Mike, por conhecer melhor os labirintos do terreno, assumiu a ponta da equipe que ficou na parte alta. Fazendo uma tomada de ângulo, iniciou a progressão tática pelo beco. Arma em posição de pronta resposta, visão panorâmica… Os outros militares o acompanharam, cada qual monitorando os pontos de foco e controlando os pontos quentes. Silêncio, comunicação por gestos… Furtivamente, os militares foram progredindo pelo terreno irregular. O beco parecia estar deserto, mas os militares não descuidaram das técnicas policiais. O risco desconhecido é geralmente o risco que mata.
Depois de alguns minutos, chegaram ao final do beco e… Nada. Nenhuma alma viva foi encontrada. Os narcotraficantes já haviam se homiziado em algum barracão da favela. O mal sorriu; escapou impune da ação legal do Estado.
– Mike, desloca para a Unidade. Segundo a Central, tem dois ônibus que tiveram os vidros quebrados lá esperando para fazer o registro da ocorrência – determinou o CPU.
– Positivo, senhor tenente.
– As demais guarnições podem recolher. Agradeço o apoio de todos.
Mike se dirigiu para o batalhão. Depois de digitadas as ocorrências, fez um relatório ao comandante da Fração. Assim terminou o documento:
(…) Fatos como esse são inadmissíveis. Representam o desejo dos traficantes em criar um poder paralelo e de aterrorizar a comunidade. Reitero que minha equipe não se esmorecerá e continuará envidando esforços contra o narcotráfico existente na localidade, e qualquer ato terrorista será reprimido com o uso legal da força.
Nota: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.
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